Democracia Resistente

07.02.2019

Em Portugal, o jornalismo livre foi uma conquista da Revolução de Abril. É um direito fundamental e um pilar da democracia. Como noutras áreas, há quem abuse desse direito, assim o menosprezando, e quem ataque e abale esse pilar. Isto apenas para dizer que uma democracia que resiste à TVI e à Ana Leal deve conseguir resistir a tudo e mais alguma coisa.

Uma Simples Pergunta

05.02.2019


Fot. EPA/Tiago Petinga. Augusto Santos Silva e Delcy Rodriguez.

Basicamente, o Estado da República Portuguesa rompeu relações com o Estado da República Bolivariana da Venezuela ao declarar que o Governo em plenas funções nesse país é ilegítimo. Tentou depois enviar armas para um Grupo de Operações Especiais para proteger a embaixada sem comunicar com o Governo que deslegitimou e que, como é evidente, controla as fronteiras do país. Foram recambiadas. No mundo real, esta questão complexa que marca a actualidade não se reduz ao simplismo confuso de “apoiar” este ou aquele, ou nem este nem aquele, mas pede ponderação e sentido de estado. Tudo isto é espantoso, no pior sentido da palavra. Em que é que estas decisões ajudam a grande comunidade portuguesa na Venezuela? Faltando ao seu dever, o Estado Português não parece ter feito esta simples pergunta antes ou depois de cada decisão.

Comunidade Internacional

29.01.2019

Comunidade internacional. Podia descrever uma estrutura multilateral de países e dos seus governos como as Nações Unidas. Não costuma ser assim. Noam Chomsky não se tem cansado de argumentar que, na linguagem utilizada pelos grandes meios de comunicação ocidentais, aquilo que designa é apenas uma pequena parte do mundo: os EUA, os seus aliados (às vezes nem todos) e os seus clientes (de novo, às vezes nem todos). Mas a expressão é repetida até à exaustão porque tem o peso de um suposto consenso global e esconjura a análise crítica.

Problemas Estruturais

24.01.2019

O trabalho da polícia responde a necessidades sociais de defesa da segurança, de direitos, e da democracia e deve basear-se na proximidade com as populações e na sua confiança. Ou seja, a polícia deve ser a primeira a não tolerar a presença de violentos racistas e xenófobos nas suas fileiras e a investigar qualquer elemento e denúncia que a indicie. Generalizar, não. É uma questão de respeito pela verdade. Mas não se confunda a generalização com a análise estrutural. Há quem teime em dizer que o racismo e a xenofobia não existem como problemas estruturais em Portugal, indissociáveis do passado colonial, da divisão de classes, da realidade da pobreza, e da estratificação social. O país de que essas pessoas falam com os olhos fechados e as mãos sobre os ouvidos é que não existe.