How to Spot a Communist

05.12.2013

“How to Spot a Communist” is a pamphlet prepared by the US First Army Headquarters in 1955 and reprinted in popular magazines in the 1950s. Here is an excerpt from this interesting document of the Cold War era that is available here:

In addition to these very general principles common to Communist tactics, a number of specific issues have been part of the Communist arsenal for a long period of time. These issues are raised not only by Communist appeals to the public, but also by the individual Party member or sympathizer who is a product of his Communist environment. They include: “McCarthyism,” violation of civil rights, racial or religious discrimination, immigration laws, anti-subversive legislation, any legislation concerning labor unions, the military budget, “peace.”

A Natureza do Capitalismo Mantém-se

04.12.2013

O endividamento do Estado era o interesse directo da fracção da burguesia que dominava e legislava através das câmaras. O défice do Estado, esse era o verdadeiro objecto da sua especulação e a fonte principal do seu enriquecimento. Todos os anos um novo défice. Quatro ou cinco anos depois um novo empréstimo. Cada novo empréstimo oferecia à aristocracia financeira uma nova oportunidade de defraudar o Estado, mantido artificialmente à beira da bancarrota; ele via-se obrigado a pedir mais dinheiro aos banqueiros, nas condições mais desfavoráveis.

Podia ter sido escrito ontem, mas Karl Marx escreveu isto em 1850, a propósito da situação em França em 1848-50. 160 anos depois, os mecanismos do capitalismo continuam os mesmos. Em 1848 até já havia PPPs na construção do caminho de ferro em França.

O caminho tem que ser intensificar e alargar a luta pela derrota deste este pacto de agressão das troikas, a ruptura com esta política e a construção de uma política patriótica e de esquerda.

Perder as Cadeias, Ganhar o Mundo (2)

03.12.2013

Entre todo o movimento de libertação no seu conjunto, de um lado, e o movimento operário, de outro, existe a mais estreita e indissolúvel conexão.

V. I. LÉNINE, “A Vida Ensina”

Perder as Cadeias, Ganhar o Mundo (1)

02.12.2013

O pensamento fundamental que percorre o Manifesto [do Partido Comunista]: que a produção económica, e a articulação social que dela com necessidade decorre, de qualquer época histórica forma a base da história política e intelectual dessa época; que, consequentemente, toda a história (desde a dissolução da antiquíssima posse comum do solo) tem sido uma história de lutas de classes, lutas entre classes exploradas e exploradoras, dominadas e dominantes, em diversos estádios do desenvolvimento social; que esta luta, porém, atingiu agora um estádio em que a classe explorada e oprimida (o proletariado) já não se pode libertar da classe exploradora e opressora (a burguesia) sem simultaneamente libertar para sempre a sociedade toda da exploração, da opressão e das lutas de classes [...].

FRIEDRICH ENGELS, “Prefácio à Edição Alemã de 1883” in Karl Marx e Engels, Manifesto do Partido Comunista

Une communauté constitue

24.11.2013

Il ne peut y avoir de connaissance sans une communauté de ceux qui la vivent [...] la communication est un fait qui ne se surajoute nullement à la réalité-humaine, mais la constitue.

GEORGES BATAILLE

A Vida na História

24.11.2013

... mas eu com o coração consciente
de quem só na história tem vida,
como poderei com pura paixão agir
se sei que a nossa história acabou?

PIER PAOLO PASOLINI, “As Cinzas de Gramsci”

Sem Anos

07.11.2013

Toute valeur n’entraîne pas la révolte, mais tout mouvement de révolte invoque tacitement une valeur.

ALBERT CAMUS, “L’Homme révolté”

Diga-se

02.10.2013

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

MÁRIO CESARINY, “Exercício Espiritual”

Entre Nós e as Palavras

14.08.2013

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte   violar-nos   tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

MÁRIO CESARINY, “you are welcome to elsinore”

Um Lugar de Paixão

30.06.2013

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

HERBERTO HELDER, “Aos Amigos”

Dialogar

01.05.2013

Dialogar é assumir que o sentido é uma tarefa colectiva.

MANUEL GUSMÃO, Uma Razão Dialógica

De Mãos Dadas com os Perigos

29.04.2013

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

SOPHIA DE MELLO BREYNER, “Porque”

Thinking of Víctor Jara (1)

18.04.2013

[S]ome marxists are prepared to admit that some Christians have, personally, become Marxists precisely on the account of their Christian beliefs — not that is, in spite of them, but because of them. Thus, for example Camilo Torres, Paulo Freire, the Slant Catholics in the 1960s in England and many others. There is a minority of Christians who have come to believe that fidelity to their Christian beliefs entails and not merely permits that they accept a revolutionary socialist stance. And some of these people make very good Marxists indeed.

DENYS TURNER, Marxism and Christianity

Pensando a Víctor Jara (2)

18.04.2013

De nuevo quieren manchar
mi tierra con sangre obrera
los que hablan de libertad
y tienen las manos negras.

Los que quieren dividir
a la madre de sus hijos
y quieren reconstruir
la cruz que arrastrara Cristo.

VÍCTOR JARA, “Vientos del pueblo”

O Braço que a Ideia Pede

28.03.2013

Às duas por três nascemos,
às duas por três morremos.
E a vida? Não a vivemos.

Quero viver (deixai-nos rir!)
seria muito exigir...
Vida mental? Com certeza!
Vida por de trás da testa
será tudo o que nos resta?
Uma ideia é uma ideia
— e até parece nossa! —
mas quem viu uma andorinha
a puxar uma carroça?

Se à ideia não se der
o braço que ela pedir,
a ideia, por melhor
que ela seja ou queira ser,
não será mais que bolor,
pão abstracto ou mulher
sem amor!

Às duas por três nascemos,
às duas por três morremos.
E a vida? Não a vivemos.

Neste reino de Pacheco
— do que era todo testa,
do que já nada dizia,
e só sorria, sorria,
do que nunca disse nada
a não ser prà galeria,
que também não o ouvia,
do que, por detrás da teste,
tinha a testa luzidia,
neste reino de Pacheco,
ó meus senhores que nos resta
senão ir aos maus costumes,
às redundâncias, bem-pensâncias,
com alfinetes e lumes,
fazer rebentar a besta,
pô-las de pernas pró ar?

Por isso, aqui, acolá
tudo pode acontecer,
que as ideias saem fora
da testa de cada qual
para que a vida não seja
só mentira, só mental...

ALEXANDRE O’NEILL, “No Reino do Pacheco”

Sem Amos Nem Destino

21.03.2013

Havia séculos
e eram florestas sobre florestas escritas.
O canto cantava: era o incêndio do vento

folheando a memória da terra essa maranha de raízes aéreas

que nasciam enterrando mais fundo as árvores anteriores;
essa teia nocturna de troncos e lianas, de ramos e folhas,
nervuras que os versos enervam irrespiráveis;
esse mapa em relevo lavrado pela paciência da luz
que atrasando-se recorta estas estranhas esculturas do tempo:
os poemas selvagens

o máximo excesso de uma rosa aquática e frágil
sempre a nascer desfiladeiros e falésias, fendas, quebradas, ravinas
vulcões que deflagram em écrans sucessivos

Havia séculos
e o cinema dos astros
acendia ampolas e bagas, campânulas, cápsulas, lâmpadas;
punha em música a infinita noite dos versos que longamente escutam
aqueles que muito antes ou muito depois vieram ou virão
até estes anfiteatros que os desertos invadem.

Havia séculos
e / atravessando as ruínas dessa terra quente,
as páginas de água dessa rosa alucinada / havia esse:
o comum de nós que dos seus se dividindo, verso a verso,
procura ainda alguém.
E assim era de novo o início.

A grande migração das imagens — havia séculos —
desde há muito começara, desde sempre, já.
E sem cessar migrávamos nós, inquietos e perdidos

sem paz e sem lei, sem amos nem destino.

MANUEL GUSMÃO, “Havia Séculos”

Sea of Revolution

07.02.2013

O God! That one might read the book of fate,
And see the revolutions of the times
Make mountains level, and the continent
Weary of solid firmness, melt itself
Into the sea!

WILLIAM SHAKESPEARE, Henry IV

Estas Mãos

01.02.2013

Vês estas mãos? Mediram
a terra, separaram
os minerais e os cereais,
fizeram a paz e a guerra,
derrubaram as distâncias
de todos os mares e rios,
e, no entanto,
quando te percorrem a ti, pequena,
grão de trigo, andorinha,
não chegam para abarcar-te,
cansam-se alcançando
as palomas gémeas
que repousam ou voam no teu peito,
percorrem as distâncias das tuas pernas,
enrolam-se na luz da tua cintura.
Para mim és tesouro mais carregado
de imensidão que o mar e os seus racimos
e és branca e azul e extensa como
a terra na vindima.
Nesse território,
dos teus pés à tua fronte,
andando, andando, andando, eu passarei a vida.

PABLO NERUDA, “A Infinita”

Cultura e Humanidade

25.01.2013

Mas o que não deve nem pode ser monopólio de uma elite, é a cultura; essa tem de reivindicar-se para a colectividade inteira, porque só com ela pode a humanidade tomar consciência de si própria, ditando a todo o momento a tonalidade geral da orientação às elites parciais.

BENTO DE JESUS CARAÇA, A Cultura Integral do Indivíduo