O Som Hipócrita de um Apelo

14.07.2020

Um grupo de 83 milionários propôs a aplicação imediata de uma taxa permanente sobre as maiores fortunas do planeta para ajudar a “minimizar” os efeitos da crise. Parecem ter consciência que a crise também se vai fazer sentir sobre a venda dos produtos que as suas empresas comercializam. A arraia-miúda só serve para a labuta e o consumo, nunca para usufruir verdadeiramente dos frutos do seu trabalho. E que tal acabarmos com o que gera essa abundância, as grandes heranças e a intensa exploração? É que o mundo seria muito diferente, bem mais justo e humanizado, sem esses mecanismos que mantêm e aprofundam as desigualdades sociais. Assim dito, o apelo soa tão hipócrita como as iniciativas de “responsabilidade social” usadas para lavar a cara dos gigantes empresariais que, sistematicamente, fomentam a precariedade, descartam trabalhadores, praticam baixos salários, e violam direitos laborais.

Convite ao Autoritarismo

09.07.2020

Há quem pense que vivemos numa sociedade mais democrática quando se lançam suspeitas, se constroem especulações, se distorcem situações, se comenta sem ter informação, se expõe um olhar preconceituoso, com a leviandade de quem pouco ou nada pensa na dignidade dos outros. Para observar isto basta ler João Miguel Tavares e outros fazedores de opinião populista, que nunca se responsabiliza pelas suas calúnias. A cautela, o recolhimento, a ponderação, o rigor passam a ser qualidades que escasseiam. A história mostra que assim se agita um caldo cultural onde tudo parece desabar, numa voragem vista como incontrolável, até vir alguém “meter ordem nisto”. É a porta escancarada para o autoritarismo. Não contem comigo.

Não Deixar Morrer os Nossos Mortos

04.07.2020

“Nós não deixamos morrer os nossos mortos, pois eles permanecem intactos no alongamento do nosso futuro”: Jerónimo de Sousa a citar Mário Castrim na Sessão Comemorativa do Centenário de Mário Sacramento de hoje. A memória viva alimenta a determinação e propicia a emancipação.

A Mesma Luta

30.06.2020

Mas nós nunca confundimos o “colonialismo português” com o “povo de Portugal”, e temos feito tudo, na medida das nossas possibilidades, para preservar, apesar dos crimes cometidos pelos colonialistas portugueses, as possibilidades de uma cooperação eficaz com o povo de Portugal, numa base de independência, de igualdade de direitos e de reciprocidade de vantagens seja para o progresso da nossa terra, seja para o progresso do povo português. [...] O povo português está submetido há cerca de meio século a um regime que, pelas suas características, não pode ser deixado de ser chamado fascista. [...] A nossa luta é contra o colonialismo português. Nós somos povos africanos, ou um povo africano, lutando contra o colonialismo português, contra a dominação colonial portuguesa, mas não deixamos de ver a ligação que existe ente a luta antifascista e a luta anticolonialista.

Nós estamos absolutamente convencidos de que, se em Portugal se instalasse amanhã um governo que não fosse fascista, mas fosse democrático, progressista, reconhecedor dos direitos dos povos à autodeterminação e à independência, a nossa luta não teria razão de ser. Aí está a ligação íntima que pode existir entre a nossa luta e a luta antifascista em Portugal; mas também, vice-versa, estamos absolutamente convencidos de que, na medida em que os povos das colónias portuguesas avancem com a sua luta e se libertem totalmente de dominação colonial portuguesa, estarão contribuindo de uma maneira muito eficaz para a liquidação do regime fascista em Portugal. [...] Nós queremos entretanto exprimir claramente o seguinte: nós não confundimos a nossa luta, na nossa terra, com a luta do povo português; estão ligadas, mas nós, no interesse do nosso povo, combatemos contra o colonialismo português. Liquidar o fascismo em Portugal, se ele não se liquidar pela liquidação do colonialismo, isso é função dos próprios portugueses patriotas, que cada dia estão mais conscientes da necessidade de desenvolver a sua luta e de servir o melhor possível o seu povo.

AMÍLCAR CABRAL, Guiné-Bissau, Nação Africana Forjada na Luta

Mário de Sacramento:
Sessão Comemorativa do Centenário do Nascimento

19.06.2020

Webinar APJD sobre Teletrabalho

17.06.2020

Entrevista para A Voz do Operário

11.06.2020

Hoje celebra-se o Corpo de Deus. É um momento de união comum, pois se “há um único pão, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão” (1Cor 10,17). Neste dia, A Voz do Operário publicou uma entrevista que o Bruno Amaral de Carvalho me fez para a edição de Junho do jornal. Tem o título “A solidariedade é um instrumento de transformação social” e está disponível aqui.

Portugal e o Que Pode Ser um País

10.06.2020

Passar de João Miguel Tavares para José Tolentino Mendonça não é só mudar de discurso. É afastar uma fantasia liberal-populista para dar lugar a um confronto com a realidade do que é Portugal e o que pode ser um país, uma comunidade. Um poeta é sempre alguém que deixa que o concreto o interpele para transformar essa interpelação em linguagem evocativa. Tolentino verteu em palavras as ânsias provocadas pela desigualdade, pela exclusão, pela exploração, pela dominação. No fundo, para falar de um país e de um mundo que ainda não existem, mas que estão à distância do compromisso compassivo e solidário com o bem comum.

Os “Decretos” de Rui Rio

09.06.2020

Há tempos, Rui Rio dizia que não houve fascismo em Portugal. Agora diz que “não há racismo na sociedade portuguesa”. Os “decretos” demonstram que há pelo menos uma coisa em Portugal: a promoção da ignorância e da cegueira como expressão ideológica. Lamentável.

Semana Nacional de Luta, 22 a 26 de Junho 2020

06.06.2020