Solidariedade com a Palestina

23.06.2018

Um Pilar da Democracia

15.06.2018

Sem acesso generalizado a educação de qualidade, a democracia perde fundamento crítico e participação consciente. Torna-se numa sombra de si. Desvanece-se. A educação é um pilar da democracia. Por isso, uma forma de medir o atraso ou o avanço de uma democracia, de determinar a grandeza do seu desenvolvimento, é o modo como se olham os professores: se não dignificados ou não, se são respeitados ou não, se são defendidos ou não. Cada luta justa dos professores em Portugal revela uma imensa solidariedade, nomeadamente de colegas de escola, de estudantes, e de encarregados de educação. Mas demonstra também que ainda temos muito para andar na democratização da sociedade portuguesa. Não podemos desistir de fazer esse caminho.

Negociar e Faltar à Palavra

05.06.2018

Foi bom ouvir Jerónimo de Sousa e Heloísa Apolónia serem claros com o Primeiro Ministro António Costa, insistindo no que está em discussão. E é uma discussão política da maior importância. Não se trata apenas do repugnante ultimato do Ministério da Educação (“ou aceitam a recuperação de 2 anos, 9 meses e 18 dias ou retiramos essa proposta e não aceitamos recuperar tempo nenhum”), mas sobretudo da demonstração de má-fé do Governo. Foi assumido um compromisso em Novembro de 2017, formalizado num artigo no Orçamento do Estado que estabelecia a recuperação “do tempo de serviço” (assim mesmo, com artigo definido e negociado). Nem é preciso mencionar as recomendação aprovadas na Assembleia da República, incluindo da parte do PS, sobre esta questão. O que há a negociar entre os sindicatos e o Governo não é o tempo de serviço a recuperar. Para ver o seu OE aprovado, o Governo concordou que era todo. O que há a negociar é apenas a forma como essa recuperação se dará. Foi porque os sindicatos demonstraram flexibilidade para negociar a recuperação de forma faseada que se chegou a um compromisso no ano passado. Os professores têm toda a legitimidade para esperar a negociação da forma de recuperação e não do tempo recuperado. O Governo está fazer tábua rasa daquilo com o qual concordou.

À Boleia

03.06.2018

À boleia de uma posição política densa, houve quem se dedicasse a escrever coisas verdadeiramente inacreditáveis sobre o Partido Comunista Português nos últimos dias. Coisas que repetem ideias feitas, que revelam ódios de estimação, como se quem as escreveu estivesse apenas à espera de uma desculpa. Coisas que eu nunca escreveria sobre qualquer organização política, não só por pudor, mas por respeito democrático. Coisas como a sobranceria e o paternalismo acerca dos seus membros, o recurso a dicotomias fáceis, o uso de epítetos em vez de argumentos, enfim, o desconhecimento profundo disfarçado de conhecimento simplificado sobre um partido com uma composição transversal onde militam mulheres e homens que trabalham nos mais diversos sectores, com diferentes características, formações, idades, experiências de vida, gostos, com órgãos próprios, democraticamente eleitos e muito activos. O Facebook é uma janela demasiado pequena e virtual onde não é fácil dialogar. A caracterização grosseira agrava essa dificuldade. Na realidade, quem conheça militantes comunistas de carne e osso, quem já tenha colaborado com elas e com eles, quem já tenha visto como estudam os temas, fazem propostas, e intervêm nos órgãos de poder regional, local, e central, considerará esta avalanche de impropérios algo absurdo, a raiar o irracional. No meio de tantas trocas de palavras, demasiadas vezes surdas, encontrei este comentário do insuspeito Rui Zink: “Aliás o PCP tem tradição de ponderar os assuntos com a seriedade devida, prática ética menos óbvia nos outros partidos. E isso não é retirar-lhes seriedade, é apenas que o PC (mesmo quando ‘pensa ou decide errado’) sofre e mastiga um bocado mais a questão em questão.” Para mim, isto rima com algumas boas conversas que fui tendo nos mesmos últimos dias. O resto são coisas que talvez só se expliquem com a força singular e persistente daquilo que se tenta denegrir. Avante.